quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A moeda falsa / O silêncio das sereias


(quase) tópicos de previsão para amanhã

Se a moeda falsa é mais rica do que a verdadeira, não é, também, o silêncio das sereias mais rico do que o seu canto? mas qual silêncio? - o silêncio destruidor, a revelação, que condenaria Ulisses à arrogância de um deus? esse silêncio que derruba a vontade, e que, tal como ao deus bíblico, levaria Ulisses ao descanso eterno? ainda o mesmo, qual aleph, que depois de tudo ver e sem sarna com que se coçar, o homem estaria condenado à enfadonha eternidade de tudo saber? e não é esse silêncio, o próprio canto das sereias?, ou - o silêncio que é obscuridade, o silêncio do indizível, ao qual o homem não pode escapar por estar dentro da linguagem, o silêncio (que nos ajude Jean-Luc Nancy) que é a resistência, um ser silencioso que impede a totalização no absoluto? o silêncio que resiste ao seu gémeo destruidor?
E não é este (segundo) silêncio a poesia, o canto?
Pergunto, qual é a moeda falsa, qual é o silêncio verdadeiro? E o canto, quando é que é sua antítese?
Talvez estejamos no domínio do indecidível.

Atrevo-me a apostar, o primeiro é o silêncio que vem depois do canto, o tal que Ulisses não ouviu, arrisco mais, este é o silêncio do qual Ulisses foge toda a viagem; o segundo é o silêncio que desperta a viagem, o silêncio que é o rumor da língua.

Será que vejo um silêncio dos deuses e um silêncio dos homens? um da verdade o outro da língua?
As sereias deixaram de querer seduzir, calaram-se, agora só querem deixar-se captar pelo brilho dos olhos de Ulisses.
E o brilho dos olhos do amigo d' A moeda falsa, é o brilho da ignorância ou do desaprender?

O texto também só quer ser visto. Eu também só o quis ver.


Aposto neste post só para o ver desmoronar...

ps: afinal em vez de tópicos são (quase) só perguntas...


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