quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
o canto
The belief in truth is precisely madness.
Nietzsche, Das Philosophenbuch
urge nas palavras uma auto-destabilização, estes monumentos erguem-se e quanto mais alto se elevam (quanto mais profundamente as vemos), mais claro é o desmoronamento. próximos de tocar essa luz da verdade, perto de lhe dar forma, qual golpe, assistimos à queda, emerge a sua antítese. restam os estilhaços, o rumor dos cacos, quebra-se o silêncio e a palavra fala. não sei a verdade que diz.
Na canseira diária e cega finjo que a recomponho, como quem finge ter lido as memórias póstumas de um deus.
quando o silêncio destruidor está no canto, tapo os ouvidos e canto no meu silêncio uma canção da infância.
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lembrei daquele conto do Helder, d' "os passos em volta" em que se pega numa palavra daquelas "fundamentais", a diz 100 vezes: "já não significa".
ResponderEliminaré um silêncio permeável. destruidor não sei. nos recompõem.